Introdução
Quinta-feira, 17 de Julho. CCTA, Talatona.
O tema do XVI Fórum Banca do Expansão era claro desde o início: "A Internacionalização da Banca no Mercado de Capitais e o Regresso dos Correspondentes Bancários: Desafios e Oportunidades."
Um título longo. Mas um problema simples de enunciar.A banca angolana quer crescer para fora. Quer que os grandes bancos internacionais voltem a fazer negócios com ela. Quer acompanhar as empresas angolanas no exterior. E quer, finalmente, integrar Angola nos grandes fluxos financeiros globais.
O que ficou no ar, depois de horas de debate entre decisores políticos, líderes bancários e investidores, foi uma tensão que conheço bem: a distância entre o que se declara e o que se executa.
O que me ficou do discurso de abertura
O Secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, disse algo que não consigo deixar de citar porque raramente se ouve com esta clareza numa sessão de abertura:
"O verdadeiro teste será saber se essa nova confiança se traduz em mais investimento, mais empresas competitivas, mais emprego qualificado e melhores oportunidades para os angolanos."
É exactamente isso. A confiança regressa. Os correspondentes bancários estão a voltar. Os números da bolsa melhoraram — a capitalização dos três bancos cotados atingiu 3,9 biliões de kwanzas no primeiro semestre de 2026, segundo Cristina Lourenço, presidente executiva da BODIVA.
Mas confiança não é o destino. É o ponto de partida.
O verdadeiro teste começa agora.
O que os números revelam — e o que escondem
Três bancos — BAI, BFA e BCGA — concentram cerca de 95% da capitalização bolsista angolana. Noventa e cinco por cento.
Isto diz duas coisas ao mesmo tempo.
A primeira: o sector bancário angolano tem pilares sólidos. Há instituições com dimensão e capacidade para competir regionalmente.
A segunda: o mercado de capitais é ainda estreito. A diversificação é mais aspiração do que realidade. E um mercado de capitais estreito limita directamente a capacidade de as empresas angolanas crescerem, captarem investimento e internacionalizarem.
A banca não pode internacionalizar sozinha. Precisa de empresas que a acompanhem. E as empresas precisam de um sistema financeiro que as financie quando querem escalar. Esta interdependência foi debatida no fórum. Mas resolver um lado sem o outro não funciona.
O que aprendi sobre correspondentes bancários
O regresso dos correspondentes bancários é, para muita gente, apenas uma questão técnica. Para mim, é uma questão de posicionamento estratégico.
Um banco correspondente não é apenas uma porta de acesso a divisas. É um sinal de credibilidade para quem está de fora a olhar para Angola. Quando os correspondentes saíram — e saíram em parte pela pressão regulatória internacional e pelas dificuldades de compliance — o sinal que ficou foi negativo.
O regresso desses correspondentes é, por isso, mais do que operacional. É reputacional. E a reputação de um sistema financeiro constrói-se lentamente e perde-se rapidamente.
A desafio que o fórum colocou à banca angolana — captar investidores estrangeiros, acompanhar as empresas no exterior, integrar Angola nos fluxos financeiros internacionais — só é possível se esse trabalho reputacional for consistente. Não basta um fórum. Nem dois. Nem dezasseis.
O que isto significa para as empresas angolanas
Saí do XVI Fórum Banca com uma convicção reforçada.
As empresas angolanas que queiram crescer nos próximos cinco anos não podem ignorar o que acontece no sector financeiro. Não porque dependam dos bancos para tudo — mas porque o acesso a capital, a capacidade de operar em mercados externos e a credibilidade junto de parceiros internacionais passam, directa ou indirectamente, por um sistema financeiro funcional e bem posicionado.
A empresa que hoje não tem uma estratégia de autoridade e posicionamento digital não vai conseguir, amanhã, abrir portas no exterior. Porque antes de qualquer reunião com um correspondente bancário ou um investidor estrangeiro, alguém vai pesquisar o nome da empresa. E o que vai encontrar vai ditar muito do que acontece a seguir.
Isso não é sobre marketing. É sobre credibilidade. E credibilidade constrói-se antes de precisar dela.
Conclusão
O XVI Fórum Banca foi um espaço de debate relevante. Os temas eram certos. As pessoas certas estavam na sala.
Mas a questão que ficou sem resposta directa é sempre a mesma: quem é responsável pela execução?
A banca angolana tem activos. Tem instituições sólidas. Tem um mercado com potencial real. O que vai definir se Angola entra de facto nos grandes fluxos financeiros internacionais não são os fóruns.
São as decisões que se tomam na semana a seguir.
Se a sua empresa ainda não tem uma presença digital que reflicta a sua credibilidade real, este é o momento certo para mudar isso. Fale connosco.
Fontes: Jornal Expansão · Sapo · RNA · XVI Fórum Banca, 17 de Julho de 2026. Todos os dados verificados nas fontes originais.